terça-feira, 19 de junho de 2012

Um dos maiores escritores da época.


 Um dos Maires escritores da época. Estes são textos original que eu pesquisando encontrei e copiei, para meu blog.
António Ferreira (1528-1569) nasceu em Lisboa, estudando Direito na Universidade de Coimbra. Além de desembargador, cultivou a poesia, sendo o discípulo mais famoso de Sá de Miranda. Os seus poemas foram publicados por seu filho, Miguel Leite Ferreira, em 1598, sob o título de Poemas Lusitanos. Escreveu as comédias Bristo e Cioso, publicadas em 1622, e a tragédia Castro, publicada em 1587. É considerado um dos maiores poetas do classicismo renascentista de língua portuguesa.
Vejam só estre trecho.
ACTO IV

NÊS E O REI
CASTRO:
Meu Senhor,
Esta he a mãy de teus netos. Estes são
Filhos daquelle filho, que tanto amas.
Esta he aquella coitada molher fraca,
Contra quem vens armado de crueza.
Aqui me tens. Bastava teu mandado
Pera eu segura, e livre t'esperar,
Em ti, e em minh'innocencia confiada.
Escusarás, Senhor, todo este estrondo
D'armas, e Cavaleiros; que não foge.
Nem se teme a innocencia, da justiça.
E quando meus peccados me accusaram.
A ti fora buscar: a ti tomara
Por vida em minha morte: agora vejo
Que tu me vens buscar. Beijo estas mãos
Reaes tam piedosas: pois quiseste
Por ti vir-te informar de minhas culpas.
Conhece-mas, Senhor, como bom Rey,
Como clemente, e justo, e como pay
De teus vassallos todos, a que nunca
Negaste piedade com justiça.
Que vês em mim, Senhor? Que vês em quem
Em tuas mãos se mete tam segura?
Que furia, que ira esta he, com que me buscas?
Mais contra imigos vens, que cruelmente
T'andassem tuas terras destruindo
A ferro, e fogo. Eu tremo, senhor, tremo
De me ver ante ti, como me vejo:
Molher, moça, innocente, serva tua,
Tam só, sem por mim ter quem me defenda.
Que a lingua não s'atreve, o sprito treme
Ante tua presença, porém possam
Estes moços, teus netos, defender-me.
Elles falem por mim, elles sós ouve:
Mas não te falaram, Senhor, com lingua,
Que inda não podem: falam-te co as almas,
Com suas idades tenras, com seu sangue,
Que he teu, faláram: seu desemparo
T'está pedindo vida: não lha negues
Teus netos são, que nunca téqui viste:
E vê-los em tal tempo, que lhes tolhes
A glória, e o prazer, qu'em seus spritos
Lhe está Deos revelando de te verem.

REY:
Tristes foram teus fados, Dona Ines,
Triste ventura a tua.

CASTRO:
Antes ditosa,
Senhor, pois que me vejo ante teus olhos
Em tempo tam estreito: poem-nos hora,
Como nos outros soes, nesta coitada.
Enche-os de piedade com justiça.
Vens-me, senhor, matar? porque me matas?
Teus pecados te matam: cuida nelles.
Ó molher forte!
Venceste-me abrandaste-me. Eu te deixo,
Vive, em quanto Deos quer.
CASTRO:
Rey piadoso,
Vive tu, pois perdoas: moura aquelle,
Que sua dura tenção leva adiante.
PACHECO, REY, COELHO
Oh Senhor, que nos matas! que fraqueza
Essa he indigna de ti? de hum real peito?
Vence-te húa molher, e estranhas tanto
Vencer assi teu filho? que já agora
Terá desculpa honesta: não te esqueças
Da tenção tam fundada, que te trouxe.
REY:
Não pode o meu sprito consentir
Em crueza tamanha.
PACHECO:
Mór crueza
Fazes agora ao Reyno – agora fazes
O que faz a pouca agora em grande fogo.
Agora mais s'acende, arderá mais
O fogo do teu filho. A que vieste?
A pôr em mór perigo teu estado?
REY:
Não vejo culpa, que mereça pena.
PACHECO:
Inda hoje a viste, quem ta esconde agora?
REY:
Mais quero perdoar, que ser injusto.
COELHO:
Injusto he quem perdoa a pena justa.
REY:
Peque antes ness estremo, que em crueza.
COELHO:
Não se consente o Rey peccar em nada.
REY:
Sou homem.COELHO:


Porém Rey.
REY:
O Rey perdoa.
PACHECO:
Nem sempre perdoar he piedade.
REY:
Eu vejo húa innocente, mãy de hús filhos
De meu filho, que mato juntamente.
COELHO:
Mas dás vida a teu filho, salvas-lh'alma,
Pacificas teu Reyno: a ti seguras.
Restitues-nos honra, paz, descanso.
Destrues a traydores; cortas quanto
Sobre ti, e teu neto se tecia.
Offensas, senhor, publicas não querem
Perdão, mas rigor grande. Daqui pende
Ou remedio d'hum reyno. ou quéda certa.
Abre os olhos às causas necessarias,
Que te monstramos sempre, e que tu vias.
Cuida no que emprendeste, e no que deixas.
O odio de teu filho contra ti,
Contra nós tal será, como qual fora,
Fazendo-se, o que deixas por fazer.
A ti ficam seus filhos, ama-os, honra-os.
Assi lh'amansarás grã parte da ira.
Senhor, por teu estado te pedimos:
Polo amor do teu povo, com que t'ama,
Polo com que sabemos que nos amas:
Mais estas razões fortes, que essa mágoa
Injusta, que depois chorarás mais,
Perdendo esta occasião, que Deos te mostra.
REY:
Eu não mando, nem vedo. Deos o julgue.
Vós outros o fazei, se vos parece
Justiça, assi matar quem não tem culpa.
COELHO:
Essa licenca basta: a tenção nossa
Nos salvará cos homens, e com Deos.
CHORO:
Em fim venceo a ira, cruel imiga
De todo bom conselho. Ah quanto podem
Palavras, e razões em peito brando!
Eu vejo teu sprito combatido
De mil ondas, ó Rey. Bom he teu zelo:
O conselho leal: cruel a obra.





SONETOS


1


Livro, se luz desejas, mal te enganas.
Quanto melhor será dentro em teu muro
Quieto, e humilde estar, inda que escuro,
Onde ninguém t'impece, a ninguém danas!
Sujeitas sempre ao tempo obras humanas
Coa novidade aprazem; logo em duro
Ódio e desprezo ficam: ama o seguro
Silêncio, foge o povo, e mãos profanas.
Ah! não te posso ter! deixa ir comprindo
Primeiro tua idade; quem te move
Te defenda do tempo, e de seus danos.
Dirás que a pesar meu fostes fugindo,
Reinando Sebastião, Rei de quatro anos:
Ano cinquenta e sete: eu vinte e nove.
2
Dos mais fermosos olhos, mais fermoso
Rosto, que entre nós há, do mais divino
Lume, mais branca neve, ouro mais fino,
Mais doce fala, riso mais gracioso:

Dum Angélico ar, de um amoroso
Meneio, de um esprito peregrino
Se acendeu em mim o fogo, de que indino
Me sinto, e tanto mais assim ditoso.
Não cabe em mim tal bem-aventurança.
É pouco üa aima só, pouco üa vida,
Quem tivesse que dar mais a tal fogo!
Contente a alma dos olhos água lança
Pelo em si mais deter, mas é vencida
Do doce ardor, que não obedece a rogo.
3
S'erra minh'alma, em contemplar-vos tanto,
E estes meus olhos tristes, em vos ver,
S'erra meu amor grande, em não querer
Crer que outra cousa há ai de mor espanto,
S'erra meu esprito, em levantar seu canto
Em vós, e em vosso nome só escrever,
S'erra minha vida, em assim viver
Por vós continuamente em dor, e pranto,
S'erra minha esperança, em se enganar
Já tantas vezes, e assi enganada
Tornar-se a seus enganos conhecidos,
S'erra meu bom desejo, em confiar
Que alguma'hora serão meus males cridos,
Vós em meus erros só sereis culpada.
4
Quando entoar começo com voz branda
Vosso nome de amor. doce, e suave,
A terra, o mar, vento, água, flor, folha, ave
Ao brando som se alegra, move, e abranda.
Nem nuvem cobre o céu, nem na gente anda
Trabalhoso cuidado, ou peso grave,
Nova cor toma o Sul, ou se erga, ou lave
No claro Tejo, e nova luz nos manda.
Tudo se ri, se alegra, e reverdece.
Todo mundo parece que renova.
Nem há triste planeta, ou dura sorte.
A minh'alma só chora, e se entristece,
Maravilha de Amor cruel, e nova!
O que a todos traz vida, a mim traz morte.
5
Se meu desejo só é sempre ver-vos,
Que causará, senhora, que em vos vendo
Assim me encolho logo, e arrependo,
Que folgaria então poder esquecer-vos?
Se minha glória só é sempre ter-vos
No pensamento meu, porque em querendo
Cuidar em vós, se vai entristecendo?
Nem ousa meu esprito em si deter-vos?
Se por vós só a vida estimo, e quero,
Como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?
Não sei entender o que em mim mesmo vejo.
Mas que tudo é amor, entendo, e creio,
E no que entendo, e creio, nisso espero.
6(À morte da esposa)
Ó alma pura enquanto cá vivias,
Alma, lá onde vives, já mais pura,
Porque me desprezaste? Quem tão dura
Te tornou ao amor que me devias?
Isto era o que mil vezes prometias,
Em que minha alma estava tão segura?
Que ambos juntos Da hora desta escura
Noute nos subiria aos claros dias?
Como em tão triste cárcere' me deixaste?
Como pude eu sem mi deixar partir-te?
Como vive este corpo sem sua alma?
Ah! que o caminho tu bem mo mostraste,
Porque correste à gloriosa palma!
Triste de quem não mereceu seguir em frente.


Eu admiro muito esses grandes intelectuais da época.

 Corte Real

Jerônimo Corte Real (1530?-1588) terá nascido em Lisboa de uma família nobre (põe-se também a hipótese de ter nascido na ilha Terceira, Açores) e faleceu em Évora. Serviu como militar em Marrocos e na Índia. Tornou-se conhecido com oSegundo Cerco de Diu, poema em vinte e dois cantos dedicado ao rei D. Sebastião e publicado em 1574. O poema celebra os feitos militares de D. João de Castro e de D. João de Mascarenhas no cerco que a cidade de Diu sofreu em 1546. Escreveu também em quinze cantos e em castelhano a Austríada, publicada em 1578, e o Naufrágio de Sepúlveda, publicado em 1598. Os poemas têm um tom laudatório e relevam da poesia épica. O autor reflecte a decadência do império português nos finais do século XVI. Obras: Sucesso do Segundo Cerco de Diu, Estando D. João de Mascarenhas por Capitão da Fortaleza (Lisboa, 1574);Austríaca ou Felicíssima Victoria Concedida del Cielo al Señor D. Juan de Austria en el golfo de Lepanto de la Poderosa Armada Otomana en el Año de Nuestra Salvación de 1572 (Lisboa, 1578); Naufrágio e Lastimoso Sucesso da Perdição de Manuel de Sousa Sepúlveda e Dona Leonor De Sá Sua Mulher (Lisboa, 1594); Auto dos Quatro Novíssimos do Homem, no Qual Entra também uma Meditação das Penas do Purgatório (Lisboa, 1768).
Outras páginas sobre o autor:
O Naufrágio de Sepúlveda na narrativa romântica do brasileiro Pereira da Silva: Jerónimo Corte-Real (Crónica do Século XVI)
SEGUNDO CERCO DE DIU



CANTO VI

COMO OS INIMIGOS BATIAM A FORTALEZA
O Sol ardente em seu fogoso carro
Quase meia jornada já cumpria,
Quando lá pelos ares se levanta
Um alarido horrível, que penetra
As nuvens e alto céu: os vivos gritos
Espalhados nos ares vão buscando
As côncavas cavernas dos mais altos
E solitários montes, e nos vales
Mais fundos e vazios; com ajuda
Da triste e namorada Eco formam
Com ímpeto diversos apelidos.
Das contrárias paredes começaram
Disparar basaliscos, e salvages
Quartaus, espalhafatos, leões grossos
Com que as altas montanhas estremecem.
O principal que ofendem é a distância
Do Apóstolo que a mão meteu no lado
De Cristo, e todo o lanço Que ali dela
Corre até Santiago, porque viram
Ser estes três lugares menos fortes.
Danificados mais e mal seguros
De todas estas partes lhe respondem
Com mui furiosos tiros. Cobre um fumo
Escuro e infernal as fortalezas.
Súpitos e mortais ardentes fogos
Luzem com grande pressa em ambas partes:
O capitão ordena um contramuro
Dentro naquela parte combatida:
De parede tão grossa, que medidos
Tinha dezasseis palmos, e de entulho
Três côvados. Repairos fez mui grandes
Com fortes contracavas no baluarte
São Tomé: porque viu que a ele vinham
Determinados com violenta fúria.
Ferve a gente lá dentro, cresce a obra,
Uns madeira acarretam, outros abrem
Com forças e com ferro a dura terra,
Fazendo contraminas. Outros correm
Com grande pressa ao muro, e as estancias
Povoam de arcabuzes, lanças, dardos,
De pólvora, pelouros e outras muitas
Proveitosas maneiras de peleja.
Os capitães acodem diligentes
Onde os tiros cruéis fazem mor dano.
Is ali com mil repairos fortificam
Lugares dos pelouros derrubados.
CANTO XV
À ESPERA DO SOCORRO
Trabalhos, aflições, grandes angústias,
Desconsolações, males e misérias
Socorre-as Deus então, quando mais clara
L mais certa se mostra a desventura.
Os prenósticos tristes emudeçam
E pasmem com mortal espanto a gente
Ou a cruel fortuna se nos mostre
Com áspero, feroz, bravo semblante.
Firme esperança em Deus tenhamos sempre,
Pois nele certa está misericórdia
L Quando em nossos males, esquecido
Se mostra, então nos dá mor o remédio.
As naus tardavam já em vir do Reino
E a esta causa em Goa se enxergava
Na gente popular uma tristeza
Nascida do temor que o grande cerco
Nos corações vulgares tinha impresso.
Traspassa um grande espanto as tristes almas
Daquelas que na guerra os caros filhos
E seus maridos têm aventurados
A desastrado fim cada momento;
Os templos frequentados eram delas
Com lágrimas pedindo a Deus socorro
E com voz alta e triste à Virgem pia.
Chamavam com fervor que lhe valesse,
Tomando-a por terceira em tal perigo.

NAUFRÁGIO DE SEPÚLVEDA

CANTO I

RETRATO DE D. LEONOR DE SÁ
Criava-se Lianor, crescendo sempre
Em suma perfeição, suma beleza,
E crescendo só nela as outras graças
Por grandes fermosuras repartidas,
Produziam-se dos seus fermosos olhos
Efeitos mil, e extremos diferentes,
Que olhando davam vida, e outras vezes
Olhando cem mil vidas destruíam.
A branca cor do rosto acompanhada
De uma cor natural honesta e pura,
E a cabeça de crespo ouro coberta,
Lembrança do mais alto céu faziam.
Praxíteles nem Fídias não lavraram
De branquíssimo mármore igual corpo;
Nem aquele, que Zuxis entre tantas
Fermosuras deixou por mais perfeito,
Não se igualava a este, antes ficava
Abatido, e julgado em pouco preço;
Que mal pode igualar-se humano engenho
Co'aquilo, em que Deus tal saber nos mostra.
Da boca o suave riso alegra os ares,
Mostrando entre rubis orientais perlas
E sobre tudo, quanto a natureza
Lhe deu perfeito, a graça se avantaja.
No peito ebúrneo as pomas, que em brancura
Levam da neve o justo preço e a palma,
Apartando-se, deixam de açucena
Alvíssima um florido e fresco vale.
Quem pode (sem perder-se) louvar cousa
Onde não chega humano entendimento?
Oh, fortuna cruel, que fim tão triste
Guardaste para uma obra tão perfeita!
CANTO VI
MANUEL DE SOUSA PARTE DE COCHIM
Com vela inchada vai a nau cortando
O transparente campo de Neptuno,
Impelida por Zéfiro; atrás deixa
Um rasto de salgada branca escuma;
Foge-lhe a conhecida terra; fogem
Num momento a grão praia, o porto, a gente:
Altas frondosas árvores de vista
Se perdem já, e em névoa se convertem:
A costa já se vê toda confusa,
Mal distintos os montes e agras serras,
E quanto mais se aparta, tanto em grossos,
Turvos, densos vulcões, tudo se muda.
Ao norte deixa já todas as terras,
Do soberbo Idalcão Rei poderoso,
E deixa Baçaim, cidade insigne,
Soberba em outro tempo, humilde agora.
Da cidade Taná, pouco distante,
Deixa as grandes ruínas, que do tempo
(Amigo de mudar estados) foram
Convertidas em vil, triste dissenho.
Em três mil e trezentas casas, nela
Telas de ouro e de prata se teciam,
Com sedas outras mais de várias cores;
Agora já não tem mais que a memória.
Também deixa Salsete, e o animal fero,
Feito de pedra, igual a um alto monte;
E o estranho e admirável edifício
Debaixo de alta rocha fabricado.
Obeliscos gerais da natureza,
Sem artifício humano, aqui se mostram;
Obra, onde se vê claro o saber alto
E aquela alta divina omnipotência.
CANTO VII
A TEMPESTADE
Cobre-se ó céu de grossas negras nuvens,
Os ventos mais e mais cada hora crescem,
Já se escurece o céu, já. com soberba
Inchadas grossas ondas se levantam.
A nau começa já passar trabalho,
Já começa gemer, e em tal afronta
O apito soa, brada o mestre, acodem
Com presteza varões no mar expertos.
Põe-se o fero Vulturno junto ao cabo,
Levanta lá no céu furiosas ondas;
Austro bramando corre ali com fúria,
Dando um balanço à nau que quase a rende,
Vem com grande furor Bóreas raivoso,
Comete por davante, o passo impide,
Encontra as grandes velas, e, por força,
Ao mastro as pega e a nau atrás empuxa:
Rompe-se por mil partes o céu, e arde
Em ligeiro, apressado, vivo fogo.
Um rugido espantoso vai correndo
Desde o Antárctico Pólo ao seu oposto.
Arremessam-se lanças pelos ares
De congelada pedra em água envolta; 
Com espantoso ímpeto, e rasgadas
As densas negras nuvens raios cospem:
De um golpe as velas vêm todas abaixo.
CANTO XVII
MANUEL DE SOUSA ENTERRA D. LEONOR NA PRAIA 
Apartando co'as mãos a branca areia 
Abre nela uma estreita sepultura 
Torna-se atrás alçando nos cansados
Braços aquele corpo lasso e frio.
Ajudam as criadas as funestas
Derradeiras exéquias, com mil gritos.
Ai duro tempo! (dizem),como apartas
Para sempre de nós tal fermosura!
Na perpétua morada tenebrosa
A deixam, levantando alto alarido,
Com salgado licor banhando a terra,
Aquele último vale. todas dizem. 
Não fica só Lianor na causa infausta,
Que de um tenro filhinho se acompanha,
Que a luz vital gozou, quatro perfeitos 
Anos, ficando o quinto interrompido. 
Ali co'a morta mãe o filho morto
Ambos com morto amor em cerra jazem,
Ela lhe nega o branco amado peito,
E ele o doce, materno, amado gosto.
Ambos na solitária praia ficam,
Junto das grossas ondas sepultados,
Deixando ao mundo um triste raro exemplo
De perversa, cruel, ímpia fortuna.

Fernão Álvares do Oriente
Da vida de Fernão Álvares do Oriente (c. 1540 – c.1600) pouco ou nada se sabe. É provável que tenha nascido em Goa (o que se pode inferir da biografia da personagem Olívio/Felício, seu criptónimo, na Lusitânia Transformada), mas a hipótese de ter nascido em Portugal não pode ser desprezada sem exame crítico. Ao certo, sabe-se que no final de Dezembro de 1572, quando era Vice-Rei da D. António de Noronha, foi como capitão de uma fusta (de entre setenta e seis) em socorro da fortaleza de Damão, que, governada por D. Luís de Almeida, então se encontrava ameaçada pelos Mogores; pouco depois de Setembro de 1573, sendo António Moniz Barreto Governador da Índia, Fernão Álvares do Oriente era capitão de uma das dezassete fustas que, sob o comando de Fernão Teles, partiram para a Costa Norte; em alvará de 25 de Setembro de 1577, D. Sebastião faz saber que se Fernão Álvares do Oriente, cavaleiro fidalgo de sua casa, falecer antes de poder fazer duas viagens da China para Sunda, como lhe fizera mercê, as poderia fazer outra pessoa nomeada por ele, Fernão Álvares do Oriente; noutro alvará de 15 de Março de 1587, Filipe II faz saber que Fernão Álvares do Oriente, agora cavaleiro de sua casa e capitão de navio da sua armada, pelos serviços que lhe prestara não só nas partes da Índia, como também no Reino, e por ter acompanhado D. Sebastião a Alcácer Quibir, onde comandara uma companhia de soldados e ficara cativo, receberia a mercê de duas viagens ao Coromandel; é provável que um Fernão Álvares, que, em 1587 ainda, se distinguiu na defesa da fortaleza de Colombo, no Ceilão, seja Fernão Álvares do Oriente; em carta de Filipe II ao Vice-Rei da Índia Matias de Albuquerque, datada de 25 de Janeiro de 1591, refere o Rei que foi informado de que Fernão Álvares do Oriente, chegado havia pouco à Índia, lá começara a divulgar novas prejudiciais ao Reino e ao Rei, pelo que devia ser mandado regressar de imediato; já é menos provável que este documento histórico diga respeito a Fernão Álvares do Oriente: em carta de 3 de Março de 1600, Filipe III, em paga de serviços que um Fernão Álvares lhe prestara por doze anos nas armadas e fortalezas da Índia, fá-lo escrivão do galeão da carreira de Maluco por duas viagens, devendo, para a mercê ter efeito, partir no próprio ano. É tudo o que da vida de Fernão Álvares do Oriente se sabe, actualmente. Escreveu, tanto quanto se sabe, uma única obra, o primeiro romance português verdadeiramente moderno (na matéria da expressão, no conteúdo e nas técnicas narrativas), a Lusitânia Transformada, texto de género pastoril em prosa e verso, publicado a título póstumo em 1607. Trata-se de uma obra de imaginário messiânico sobre a decadência do Portugal no final de Quinhentos e sobre a superação transcendente dessa decadência, que nos ajuda a compreender o processo histórico e metafísico que antecedeu e que se seguiu à perda da Independência Nacional, em 1580. Distingue-se, ainda, a Lusitânia Transformada, pelo rico e interessante diálogo literário, cultural e histórico que estabelece com Os Lusíadas e pela exaltação da figura de Camões, que é, aliás, uma das personagens da obra, que teve mais duas edições, uma em 1791 e outra em 1985.







  Quem não conhece a história de Aristóteles lé um trecho aqui. e muito bom aprender com os grandes Intelectuais da Época



Aristóteles (em grego antigoἈριστοτέληςtransl.AristotélēsEstagira384 a.C. — Atenas322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor deAlexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, ogoverno, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores dafilosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor deAlexandre da Macedónia, na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu (lyceum) em 335 a.C..

Índice

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Repercussão

Seu ponto de vista sobre as ciências físicasinfluenciou profundamente o cenário intelectualmedieval, e esteve presente até o Renascimento - embora eventualmente tenha vindo a ser substituído pela física newtoniana. Nas ciências biológicas, a precisão de algumas de suas observações foi confirmada apenas no século XIX. Suas obras contêm o primeiro estudo formal conhecido da lógica, que foi incorporado posteriormente à lógica formal. Na metafísica, o aristotelismo teve uma influência profunda no pensamento filosófico e teológico nas tradições judaico-islâmicas durante a Idade Média, e continua a influenciar a teologia cristã, especialmente a ortodoxa oriental, e a tradição escolástica da Igreja Católica. Seu estudo da ética, embora sempre tenha continuado a ser influente, conquistou um interesse renovado com o advento moderno da ética da virtude. Todos os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ativo estudo acadêmico nos dias de hoje. Embora tenha escrito diversos tratados e diálogos num estilo elegante (Cícero descreveu seu estilo literário como "um rio de ouro"),[1] acredita-se que a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de seus trabalhos tenham sobrevivido.[2]
Apesar do alcance abrangente que as obras de Aristóteles gozaram tradicionalmente, os acadêmicos modernos questionam a autenticidade de uma parte considerável do corpus aristotélico.[3]
Foi chamado por Augusto Comte de "o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos",[4] por Platão de "O Leitor" (pela avidez com que lia e por se ter cercado dos livros dos poetas, filósofos e homens daciência contemporâneos e anteriores) e, pelos pensadores árabes, de o "preceptor da inteligência humana". Também era conhecido como O Estagirita, por sua terra natal, Estagira.

Vida

Aristóteles era natural de Estagira, na Trácia,[5] sendo filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas III, pai de Filipe II.[6] É provável que o interesse de Aristóteles por biologia efisiologia decorra da atividade médica exercida pelo pai e pelo tio, e que remontava há dez gerações.
Segundo a compilação bizantina Suda, Nicômaco era descendente de Nicômaco, filho de Macaão, filho de Esculápio.[7]
Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens da época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua Academia, com preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não conhecesse Geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela academia platônica e nela permaneceu vinte anos, até a morte de Platão,[8], no primeiro ano da 108a olimpíada (348 a.C.).[9]
Espeusipo, sobrinho de Platão [10], foi por ele nomeado escolarca da academia,[9] e assim Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos. Dois fatos parecem se relacionar com esse episódio: Espeusipo representava uma tendência que desagradava Aristóteles, isto é, a matematização da filosofia; e Aristóteles ter-se sentido preterido (ou rejeitado), já que se julgava o mais apto para assumir a direção da Academia, no entanto não assumira devido principalmente ao fato de que não era grego, mas imigrante da Macedônia.
Em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmiastirano deAtarneu e eventual ouvinte de Platão. Lá ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Assassinado Hérmias, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte das famosas investigações biológicas. No ano de 343 a.C. chamado por Filipe II, tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre subiu ao trono.
Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, origem da palavra Liceu (lyceum) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário daAcademia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então, filosofiametafísicalógicaéticapolíticaretóricapoesia, biologia, zoologia,medicina e estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica.
Aristóteles dirigiu a escola até 324 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Os sentimentos antimacedônicos dos atenienses voltaram-se contra ele que, sentindo-se ameaçado, deixou Atenas afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia (alusão ao julgamento de Sócrates). Deixou a escola aos cuidados do principal discípulo, Teofrasto (372 a.C. -288 a.C.) e retirou-se para Cálcis, na Eubéia. Nessa época, Aristóteles já era casado com Hérpiles, uma vez que Pítias havia falecido pouco tempo depois do assassinato de Hérmias, seu protetor. Com Hérpiles, teve uma filha e o filho Nicômaco. Morreu a 322 a.C.

O pensamento aristotélico

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A tradição representa um elemento vital para a compreensão da filosofia aristotélica. Em certo sentido, Aristóteles via o próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de Mileto. A filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar as críticas, revisões e novas proposições.
Aluno de Platão, Aristóteles discorda de uma parte fundamental da sua filosofia. Platão concebia dois mundos existentes: aquele que é apreendido por nossos sentidos, o mundo concreto -, em constante mutação; e outro mundo - abstrato -, o das ideias, acessível somente pelo intelecto, imutável e independente do tempo e do espaço material. Aristóteles, ao contrário, defende a existência de um único mundo: este em que vivemos. O que está além de nossa experiência sensível não pode ser nada para nós.

Lógica

Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma introdução para as ciências e para o conhecimento e baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premissas colocadas previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo é dedutivo, parte do universal para o particular; a indução, ao contrário, parte do particular para o universal. Dessa forma, se forem verdadeiras as premissas, a conclusão, logicamente, também será.

Física

A concepção aristotélica de Física parte do movimento, elucidando-o nas análises dos conceitos de crescimento, alteração e mudança. A teoria do ato e potência, com implicações metafísicas, é o fundamento do sistema. Ato e potência relacionam-se com o movimento enquanto que a matéria se forma com a ausência de movimento.
Para Aristóteles, os objetos caíam para se localizarem corretamente de acordo com a natureza: oéter, acima de tudo; logo abaixo, o fogo; depois o ar; depois a água e, por último, a terra.

Psicologia

Psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.
organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas e também faz com que os animais sintam.
No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.
Ele acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo.

Biologia

biologia é a ciência da vida e situa-se no âmbito da física (como a própria psicologia), pois está centrada na relação entre ato e potência. Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia - levando-se em conta o sentido etimológico da palavra. A ele se deve a primeira divisão do reino animal.
Aristóteles é o pai da teoria da abiogênese, que durou até séculos mais recentes, segundo a qual um ser nascia de um germe da vida, sem que um outro ser precisasse gerá-lo (exceto os humanos): um exemplo é o das aves que vivem à beira das lagoas, cujo germe da vida estaria nas plantas próximas.
Ainda no campo da biologia, Aristóteles foi quem iniciou os estudos científicos documentados sobre peixes sendo o precursor da ictiologia (a ciência que estuda os peixes), catalogou mais de cem espécies de peixes marinhos e descreveu seu comportamento. É considerado como elemento histórico da evolução da piscicultura e da aquariofilia.[11]

Metafísica

O termo "Metafísica" não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que possuem fácil e imediata apreensão sensorial.
O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. Ofilósofo deu quatro definições para metafísica:
  1. a ciência que indaga e reflete acerca dos princípios e primeiras causas;
  2. a ciência que indaga o ente enquanto aquilo que o constitui, enquanto o ser do ente;
  3. a ciência que investiga as substâncias;
  4. a ciência que investiga a substância supra-sensível, ou seja, que excede o que é percebido através da materialidade e da experiência sensível.
Os conceitos de ato e potênciamatéria e formasubstância e acidente possuem especial importância na metafísica aristotélica.

As quatro causas

Para Aristóteles, existem quatro causas implicadas na existência de algo:
  • A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, a argila, por exemplo);
  • A causa formal (a coisa em si, como um vaso de argila);
  • A causa eficiente (aquilo que dá origem ao processo em que a coisa surge, como as mãos de quem trabalha a argila);
  • A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, cite-se portar arranjos para enfeitar um ambiente).

Essência e acidente

Aristóteles distingue, também, a essência e os acidentes em alguma coisa.
A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual aquele ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de história ou informações estruturadas, no caso de um livro técnico, não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter uma história ou informações é o que permite-o ser identificado como "livro" e não como "caderno" ou meramente "maço de papel").
O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor, ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).

Ética

No sistema aristotélico, a ética é a ciência das condutas, menos exata na medida em que se ocupa com assuntos passíveis de modificação. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista dafelicidade.
Partindo das disposições naturais do homem (disposições particulares a cada um e que constituem o caráter), a moral mostra como essas disposições devem ser modificadas para que se ajustem àrazão. Estas disposições costumam estar afastadas do meio-termo, estado que Aristóteles considera o ideal. Assim, algumas pessoas são muito tímidas, outras muito audaciosas. A virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na falta ou no excesso. Por exemplo: coragem é uma virtude e seus contrários são a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (ausência de coragem).
As virtudes se realizam sempre no âmbito humano e não têm mais sentido quando as relações humanas desaparecem, como, por exemplo, em relação a Deus. Totalmente diferente é a virtude especulativa ou intelectual, que pertence apenas a alguns (geralmente os filósofos) que, fora da vida moral, buscam o conhecimento pelo conhecimento. É assim que a contemplação aproxima o homemde Deus.

Política


Alexandre e Aristóteles.
Na filosofia aristotélica a política é um desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática.
Se a ética está preocupada com a felicidade individual dohomem, a política se preocupa com a felicidade coletiva dapólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituiçõescapazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do estado.
Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre, o Grande.

Direito

Para Aristóteles, assim como a política, o direito também é um desdobramento da ética. O direito para Aristóteles é uma ciência dialética, por ser fruto de teses ou hipóteses, não necessariamente verdadeiras, validadas principalmente pela aprovação da maioria.

Retórica

Aristóteles considerava importante o conhecimento da retórica, já que ela se constituiu em uma técnica (por habilitar a estruturação e exposição de argumentos) e por relacionar-se com a vida pública. O fundamento da retórica é o entimema (silogismo truncado, incompleto), um silogismo no qual se subentende uma premissa ou uma conclusão. O discurso retórico opera em três campos ou gêneros: gênero deliberativo, gênero judicial e gênero epidítico (ostentoso, demonstrativo).

Poética

A poética é imitação (mimesis) e abrange a poesia épica, a lírica e a dramática: (tragédia e comédia). A imitação visa a recriação e a recriação visa aquilo que pode ser. Desse modo, a poética tem por fim o possível. O homem apresenta-se de diferentes modos em cada gênero poético: a poesia épica apresenta o homem como maior do que realmente é, idealizando-o; a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes e a comédia apresenta o homem ressaltando seus vícios ou defeito.

Astronomia

cosmos aristotélico é apresentado como uma esfera gigantesca, porém finita, à qual se prendiam as estrelas, e dentro da qual se verificava uma rigorosa subordinação de outras esferas, que pertenciam aos planetas então conhecidos e que giravam em torno da Terra, que se manteria imóvel no centro do sistema (sistema geocêntrico).[12]
Os corpos celestes não seriam formados por nenhum dos chamados quatro elementos transformáveis (terraáguaarfogo), mas por um elemento não transformável designado "quinta essência". Os movimentos circulares dos objetos celestes seriam, além de naturais, eternos.

Obra

filosofia aristotélica é um sistema, ou seja, a relação e conexão entre as várias áreas pensadas pelo filósofo. Seus escritos versam sobre praticamente todos os ramos do conhecimento de sua época (menos as matemáticas).
Embora sua produção tenha sido excepcional, apenas uma parcela foi conservada. Seus escritos dividiam-se em duas espécies: as 'exotéricas' e as 'acroamáticas'. As exotéricas eram destinadas ao público em geral e, por isso, eram obras de caráter introdutório e geralmente compostas na forma de diálogo. As acroamáticas, eram destinadas apenas aos discípulos do Liceu e compostas na forma de tratados. Praticamente tudo que se conservou de Aristóteles faz parte das obras acroamáticas. Das exotéricas, restaram apenas fragmentos.
O conjunto das obras de Aristóteles é conhecido entre os especialistas como corpus aristotelicum.
Organon, que é a reunião dos escritos lógicos, abre o corpus e é assim composto:
Em seguida, aparecem os estudos sobre a Natureza e o mundo físico. Temos:
Segue-se a Parva naturalia, conjunto de investigações sobre temas relacionados.
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  • Da alma;
  • Da sensação e o sensível;
  • Da memória e reminiscência;
  • Do sono e a vigília;
  • Dos sonhos;
  • Da adivinhação pelo sonho;
  • Da longevidade e brevidade da vida;
  • Da Juventude e Senilidade;
  • Da Respiração;
  • História dos Animais;
  • Das Partes dos Animais;
  • Do Movimento dos Animais;
  • Da Geração dos Animais;
  • Da Origem dos Animais.
Após os tratados que versam sobre o mundo físico, temos a obra dedicada à filosofia primeira, isto é, a Metafísica. Não se deve necessariamente entender que 'metafísica' signifique uma investigação sobre um plano de realidade fora do mundo físico. Esta é uma interpretação neoplatônica.
À filosofia primeira, seguem-se as obras de filosofia prática, que versam sobre Ética e Política. Estas reflexões têm lugar em quatro textos:
  • Ética a Nicômaco;
  • Ética a Eudemo (atualmente considerada como uma primeira versão da Ética a Nicômaco);
  • Grande Moral ou Magna Moralia (resumo das concepções éticas de Aristóteles);
  • Política (a política, para Aristóteles, é o desdobramento natural da ética)
Existem, finalmente, mais duas obras:
corpus aristotelicum ainda inclui outros escritos sobre temas semelhantes, mas hoje sabe-se que são textos apócrifos. Aristóteles havia registrado as constituições de todas as cidades gregas, mas julgava-se que esses escritos haviam se perdido. No século XIX, contudo, foi descoberta aConstituição de Atenas, única remanescente.

Perda dos seus escritos

De acordo com a distinção que se origina com o próprio Aristóteles, seus escritos são divididas em dois grupos: os "exotéricos" e os esotéricos".[13] A maioria dos estudiosos tem entendido isso como uma distinção entre as obras de Aristóteles destinadas ao público (exotéricas), e os trabalhos mais técnicos (esotéricos) destinados ao público mais restrito de estudantes de Aristóteles e outros filósofos que estavam familiarizados com o jargão e as questões típicas das escolas platônica e aristotélica. Outra suposição comum é que nenhuma das obras exotéricas sobreviveu - todos os escritos de Aristóteles existentes são do tipo esotérico. O conhecimento atual sobre o que exatamente os escritos exotéricos eram é escasso e duvidoso, apesar de muitos deles poderem ter sido em forma de diálogo. (Fragmentos de alguns dos diálogos de Aristóteles sobreviveram.) Talvez seja a esses que Cícero refere-se quando ele caracteriza o estilo de escrita de Aristóteles como "um rio de ouro";[14] é difícil para muitos leitores modernos aceitar que alguém poderia tão seriamente admirar o estilo daquelas obras atualmente disponíveis para nós.[15] No entanto, alguns estudiosos modernos têm advertido que não podemos saber ao certo se o elogio de Cícero foi dirigido especificamente para as obras exotéricas; alguns estudiosos modernos têm realmente admirado o estilo de escrita concisa encontrado nas obras existentes de Aristóteles.[16]

Linha do tempo

384 a.C. – Aristóteles nasce em EstagiraMacedônia situada hoje no nordeste da Grécia. O pai era um médico reconhecido - ou seja, um cientista. Se chamava Nicômaco e era amigo do rei da Macedônia Amintas III, pai de Filipe II[6] .
367 a.C. – Aos 17 anos, Aristóteles se muda para Atenas com intuito de estudar na Academia de Platão, onde foi um brilhante estudante. Platão estava com 61 anos de idade.
356 a.C. – Nasce Alexandre o Grande, filho de Felipe II.
347 a.C. – Morre Platão e Espeusipus se torna o novo diretor da academia. Aristóteles deixa Atenas e se muda com outros colegas da Academia para Assos (hoje situada no litoral da Turquia). Neste período Aristóteles se casa com Pithias, filha de Hermeias, rei de Assos e que também frequentou a Academia de Platão. Aristóteles tem uma filha que assim como a mãe também é chamada Pithias.
344 a.C. – Hermeias é deposto. Aristóteles se muda para Mytilene na ilha de Lesbos. Se associa com Teofrastos, um nativo desta cidade e também formado pela academia de Platão e faz importantes estudos em biologia.
343 a.C. – Felipe II, rei da Macedônia, convida Aristóteles para morar em sua residência e ser o tutor de seu filho Alexandre (mais tarde, O Grande) que tem 13 anos de idade.
335 a.C. – Felipe II morre. Alexandre sobe ao trono. Aristóteles volta para Atenas e funda a sua própria escola, o Liceu. Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, (termo que deu origem a palavra Liceu) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então: filosofia, metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina e não só estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica. Durante este período Pythias morre e Aristóteles se casa com Herpyllis que também era nativa de Estagira. Com ela Aristóteles tem um filho chamado Nicômaco.
323 a.C. – Após estender suas conquistas ao Egito, à SíriaPérsia e Índia, Alexandre o Grande morre (na Índia). Por causa do sentimento antimacedônico, Aristóteles se vê obrigado a sair de Atenas pela última vez.

  • Ética a Nicômaco;
  • Ética a Eudemo (atualmente considerada como uma primeira versão da Ética a Nicômaco);
  • Grande Moral ou Magna Moralia (resumo das concepções éticas de Aristóteles);
  • Política (a política, para Aristóteles, é o desdobramento natural da ética)
Existem, finalmente, mais duas obras:
corpus aristotelicum ainda inclui outros escritos sobre temas semelhantes, mas hoje sabe-se que são textos apócrifos. Aristóteles havia registrado as constituições de todas as cidades gregas, mas julgava-se que esses escritos haviam se perdido. No século XIX, contudo, foi descoberta aConstituição de Atenas, única remanescente.

Perda dos seus escritos

De acordo com a distinção que se origina com o próprio Aristóteles, seus escritos são divididas em dois grupos: os "exotéricos" e os esotéricos".[13] A maioria dos estudiosos tem entendido isso como uma distinção entre as obras de Aristóteles destinadas ao público (exotéricas), e os trabalhos mais técnicos (esotéricos) destinados ao público mais restrito de estudantes de Aristóteles e outros filósofos que estavam familiarizados com o jargão e as questões típicas das escolas platônica e aristotélica. Outra suposição comum é que nenhuma das obras exotéricas sobreviveu - todos os escritos de Aristóteles existentes são do tipo esotérico. O conhecimento atual sobre o que exatamente os escritos exotéricos eram é escasso e duvidoso, apesar de muitos deles poderem ter sido em forma de diálogo. (Fragmentos de alguns dos diálogos de Aristóteles sobreviveram.) Talvez seja a esses que Cícero refere-se quando ele caracteriza o estilo de escrita de Aristóteles como "um rio de ouro";[14] é difícil para muitos leitores modernos aceitar que alguém poderia tão seriamente admirar o estilo daquelas obras atualmente disponíveis para nós.[15] No entanto, alguns estudiosos modernos têm advertido que não podemos saber ao certo se o elogio de Cícero foi dirigido especificamente para as obras exotéricas; alguns estudiosos modernos têm realmente admirado o estilo de escrita concisa encontrado nas obras existentes de Aristóteles.[16]

Linha do tempo

384 a.C. – Aristóteles nasce em EstagiraMacedônia situada hoje no nordeste da Grécia. O pai era um médico reconhecido - ou seja, um cientista. Se chamava Nicômaco e era amigo do rei da Macedônia Amintas III, pai de Filipe II[6] .
367 a.C. – Aos 17 anos, Aristóteles se muda para Atenas com intuito de estudar na Academia de Platão, onde foi um brilhante estudante. Platão estava com 61 anos de idade.
356 a.C. – Nasce Alexandre o Grande, filho de Felipe II.
347 a.C. – Morre Platão e Espeusipus se torna o novo diretor da academia. Aristóteles deixa Atenas e se muda com outros colegas da Academia para Assos (hoje situada no litoral da Turquia). Neste período Aristóteles se casa com Pithias, filha de Hermeias, rei de Assos e que também frequentou a Academia de Platão. Aristóteles tem uma filha que assim como a mãe também é chamada Pithias.
344 a.C. – Hermeias é deposto. Aristóteles se muda para Mytilene na ilha de Lesbos. Se associa com Teofrastos, um nativo desta cidade e também formado pela academia de Platão e faz importantes estudos em biologia.
343 a.C. – Felipe II, rei da Macedônia, convida Aristóteles para morar em sua residência e ser o tutor de seu filho Alexandre (mais tarde, O Grande) que tem 13 anos de idade.
335 a.C. – Felipe II morre. Alexandre sobe ao trono. Aristóteles volta para Atenas e funda a sua própria escola, o Liceu. Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, (termo que deu origem a palavra Liceu) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então: filosofia, metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina e não só estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica. Durante este período Pythias morre e Aristóteles se casa com Herpyllis que também era nativa de Estagira. Com ela Aristóteles tem um filho chamado Nicômaco.
323 a.C. – Após estender suas conquistas ao Egito, à SíriaPérsia e Índia, Alexandre o Grande morre (na Índia). Por causa do sentimento antimacedônico, Aristóteles se vê obrigado a sair de Atenas pela última vez.
322 a.C. – Aristóteles morre em Cálsis, na Eubéia.


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